Vale a pena ter um vira-latas?

Vale a pena ter um vira-latas?

A origem da expressão é incerta, já a razão todos sabem, chamamos de vira-latas cães de todos os tipos que vagam famintos pelas ruas em busca de algum alimento descartado por nós, abrigo, segurança e atenção.

Já uma coisa é certa, para qualquer um que convive ou conviveu com um vira-latas conhece uma relação pra lá de especial.

Como tudo começou

Os cães há milhares de anos passaram a viver perto de nós. Os ancestrais selvagens se aproximavam em busca de restos de comida e aos poucos, seguindo os acampamentos, a relação foi ficando mais próxima. No início em troca de algumas sobras, os cães ofereciam proteção, a relação aos poucos vai se desenvolvendo e a afeição entre ambos começou a surgir.

Uma outra relação importante foi construída, por algumas características e aptidões, eles passaram a trabalhar para nós em várias funções como pastoreio, tração, caça, guarda, defesa, na busca e salvamento em terra e água, guia para cegos ou com outras necessidades especiais e algumas abomináveis como lutas entre cães e outros animais.

Para aprimorar algumas características, o homem foi identificando e realizando cruzamentos selecionados, gerando padrões ou raças. Centenas delas foram criadas. Isso trouxe alguns benefícios como raças com melhor faro, tendência a atender comandos, agressividade, padrão de tamanho, pelagem, porém, também trouxe também prejuízos em relação a comportamento e saúde dos animais.

E o vira-latas, o que é?

É um ser especial que contém um pouco de tudo, do gene ancestral aos pedaços de cruzamentos selecionados por suas habilidades e características.

O vira-lata tem tudo de bom de um cão e mais um pouco, é um sobrevivente. O que homem fez para aprimorar a espécie, a natureza sempre à frente, faz melhor.

O vira-lata não tem padrão, se bem que alguns são chamados de “típico vira-latas”, também não tem exigências especiais ou restrições. O que lhes falta de exigência, lhes sobra de carinho e dedicação à família que os acolhe.

Não que um vira-latas não precise de cuidados, pelo contrário, precisa de boa ração, visitar o veterinário ao menos 1 vez por ano, uma cama confortável abrigada da chuva e do sol, vermífugo e vacinas.

Tudo igualzinho a um cão de raça, o que costuma ser diferente é que um vira-latas adoece mais dificilmente, pois a natureza se encarregou de fortalecê-los.

E como é conviver com um vira-latas?

Sabe aquele serzinho puro que nunca teve nada de mão beijada? Que desde pequenino teve que se virar e sofrer todo o tipo de privação e ameaça?

Experiências muito tristes, apanham de toda a forma, são atacados, dormem na chuva e no frio. Alguns são atropelados e, se sobrevivem, os machucados têm de se curar sozinhos. Passam dias sem encontrar água e, se chegam com fome perto das pessoas, são enxotados. Isso quando não recebem um balde de água ou óleo às vezes fervendo.

Imagina um bichinho que tem no seu DNA a vontade de estar perto das pessoas, nunca teve nada e um dia acorda sobre uma almofada fofa, recebendo um carinho e um biscoito escolhido para ele!

Você não conhecerá pureza, gratidão e amor maior do que o olhar de um vira-lata ao receber algo que nunca imaginou existir. Acho que eles devem sentir que estão no paraíso dos cachorrinhos.

O vira-latas será fiel, dedicado, educado, limpo e não vai querer que nada nem ninguém faça mal à sua família. Vai exigir pouco e oferecerá muito em troca, com sua inteligência, vontade de estar perto e de agradar o tempo todo.

Será fácil e rápido?

Se for adotado grandinho, não necessariamente. Um vira-latas pode chegar traumatizado, muito medroso, às vezes arredio e defensivo. O medo e o sofrimento estarão marcados na memória, mas saberá reconhecer a atenção e o carinho que receber. E, quando menos esperar, se entregará da forma mais pura e o laço estará estabelecido para sempre.

Se você acredita que pode haver alguém que vai ficar do seu lado estando você de bom ou mal humor. Que se você não quiser falar, sair ou brincar, ficará feliz em simplesmente te olhar. Que fará todo esforço para aprender tudo que você ensinar e ver você feliz. E, se acredita que um amigo não é status, está pronto para abrir seu coração para um vira-latas.

Se você ainda não tem certeza, busque uma ONG ou grupo de resgate e peça para passar uma tarde com um cãozinho. Leve-o a um jardim, dê um biscoitinho para ele, se deite na grama e deixe ele simplesmente estar ao seu lado, se permita rir com suas trapalhadas e receber uma lambida no seu rosto.

Quem sabe até ele já deixe você lhe dar um abraço. Duvido que voltará a mesma pessoa depois desse encontro.

Eduardo Dias
SOS Pet Alpha